AMOR

AMORAMOR
Amor bem sei quem tu és
Quando chega
De onde vem, aonde vais.

É a aurora, a primavera.
O firmamento, a brisa, o vento.
É uma luz que irradia, sem sofrimento.

É a Ilusão, e a alegria, és o afeto.
Tu és a saudade, a bondade, o encanto.
A palavra doce e meiga, o sentimento.

É o inverno com seu aconchego
O calor, a chuva de verão, o apego.
Um barquinho ao longe no sossego

Tu és o sol, as crianças, as pipas.
O beijo doce, um beijo quente.
É a água pura bebida na fonte

A fauna, a flora, o poente.
O cardume, o rio em sua nascente
Uma mão amiga, um abraço forte.

Sabe o amor é um sorriso franco
Sem mentiras, senões ou mácula.
E faz sentido se está vestido de branco

É o perfume ínfimo de todas as flores
O sábio cantar dos pássaros nas árvores
Sobrepujando a solidão dos pântanos

É a noite fria, a cama e o cio.
O aconchego da solidão sem o vazio
A beleza do pecado sacramentado

É a chegada, e a partida do minuto.
És o início do fim e do meio
É a força e é a fé do matuto

Tu és à distância – o universo
O infinito, um som diminuto.
A delicadeza de um gatinho amoroso

És a paixão, a paisagem.
A viagem final, a união da bela com o feio.
A intuição, um vulto, uma miragem.

Tu és a razão – o homem do momento
A multidão, o grito, a fome, o sofrimento.
A dor, a ciência, o computador, o orçamento.

Também tu és o pecado, a paixão.
A guerra, o ouro, a grana e os não…
Perdes toda a razão sem o calor, e o desejo de viver
Fica sem o descanso e corre.
O entusiasmo, da sua juventude morre.
Virando uma cruz encarnada
Como uma oração – sem perdão
É o senhor no sacramento, chora.

Tu és tudo a manhã o hoje e agora.
Quem sabe? O amanhã.
Bem sei – lhe conheço
É a vida.
Snitramus
Editora de texto
Rosali Gazolla.

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